Friday, March 14, 2008

Já que se abriram as torneiras…

Mais um tenebroso ao mesmo tempo que humilhante e relativamente purgante a nível da alma capítulo da tal Sequência consagrada a esse misterioso tópico constante nas vidas de todos nós: “Traumas da minha Infância”.

Episódio 2.

Os Clubes.
Especificamente, o “Clube do Pessoal que Entalou a Cabeça Pelo Menos Uma Vez nas Grades da Varanda ou do Portão”, do qual esta fabulosa autora, numa atitude de inédita coragem, assume fazer parte!
Acontece aos melhores. Seja por natural azelhice, ou mesmo por precoce curiosidade científica.
Bem, e porque não, afinal?
O que é facto é que nunca fui um génio na Matemática, mas podia perfeitamente ter percebido isso aos 4 anos de idade, quando o meu padrinho – esse, sim, um crânio nessa ciência – andava com jeitinho a ver se desatarrachava a pinha da miúda das grades sem a deixar destrambelhada.
O que verdadeiramente me deixou destrambelhada – pelo menos, penso, foi uma das razões mais fortes – foi o ter caído a rebolar pelas escadas abaixo de costas (para aí uns 30 degraus, mas alcatifados!), pouco tempo depois. E ter batido fortemente com a cabeça no chão quando estava pendurada no muro. E quando estava a aprender a andar de bicicleta da primeira vez.
Mas querem que eu conte todas as vezes que bati com a cabeça???

O clube que arreliava o meu irmão, mas que a mim não me chateava sequer era o “Clube dos Miúdos Cujas Mães os Avisam para Limpar o Surro Atrás das Orelhas e que Depois Duvidam Escandalosamente da Sua Palavra e Vêm Confirmar, Nem que Seja no Meio da Rua ou ao Portão da Escola”.

Creio que este clube tenha afligido muitos infantes por esse mundo civilizado fora.

“Ai, Miguel, eu não te mandei lavar bem as orelhas?” – e depois saca do lenço de papel, molha a língua na ponta e esfrega vigorosamente com uma mão, enquanto que com a outra destaca a respectiva orelha vários centímetros fora do seu lugar, o que resulta numa figura verdadeiramente ridícula para a pessoa que está a ser vítima deste exímio tratamento.
Acho que o meu irmão ainda tem pesadelos com isto.
Pelo menos, parece-me que tenta encolher as orelhas de cada vez que a minha mãe se chega perto…
Eu sempre cheguei atrás das minhas orelhas.

E depois, o “Clube do Fato de Treino Vermelho, ou Azul, com Duas Riscas de Cada Lado e a Marreca na Frente que Tínhamos de Levar nos Dias de Ginástica e Que nos Fazia Parecer a Todos Uns Parolos Sem Tirar Nem Por”.
O meu era vermelho.
Isso pode explicar muita coisa.
E depois, quando ficava curto… trocava-se por outro igual! Original!!

Acho que por hoje já chega de terapia!
Não queremos ficar curados de uma assentada, pois não?
Até porque isto vai dar para umas quantas noites mal dormidas nos próximos dias…


Post Scriptum (escrevo por extenso em protesto, já que estamos numa de limpeza astral, por ter sido idiota e ter preferido as aulas de Psicologia em vez das de Latim, que eram muito mais giras, apesar da Professora La Salette ser um fóssil e cheirar como um): Gostaria de aproveitar esta forma genial de contacto que é a net em geral e o mundo místico dos blogs em particular para informar o Sr. Canalizador Implacável que ontem deixou cá em casa o seu material de trabalho. Aquele tubo da “silly c…oisa…”.
No caso de não se lembrar do quê, cá fica esta imagem – tremida, que porcaria, tinha logo que acabar a bateria da máquina nesta altura, tantos planos gloriosos que eu tinha…


2 comments:

Kalar said...

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Marta said...

F*** MAS ALGUÉM FAZ UM COMENTÁRIO DE JEITO, OU QUÊ?????