Tuesday, March 27, 2007

Nova rúbrica no blog mais escaldante da net... assim tipo o blog responsável pelo aquecimento global, de tão quente que é!!

Ora saltando a fundo para a onda de eleição dos melhores e piores portugueses de sempre, o blog da moda resolveu publicar periodicamente:

“Os Portugueses mais desconhecidos de sempre, sendo que muitos deles até foram figuras proeminentes mas que nunca ninguém lhes ligou nenhuma, outros só relativamente qualquer coisa, e outros ainda são perfeitos desconhecidos que nunca se cansam de arranjar maneira de tentar andar nas luzes da ribalta”.

Vamos então dar início a esta rubrica com um tal de D. Duarte I.
Ora quem foi propriamente este gajo?
Errado, não é o D. Duarte – esse é o Pio…

Para conhecer este nosso amigo, temos de viajar na máquina do tempo até à Idade Média – não, não é passando a ponte 25 de Abril…

…vocês andam desorientados, não andam? Têm bebido a vossa dose de cafeína diária, têm???

Ora bem, depois da gloriosa porém de origem duvidosa chegada de D. João, Mestre de Avis ao cadeirão do poder, em1385,o rapaz pensou logo em arranjar alguém lá para casa para poder ter aquilo arrumado, deixando-lhe o tempo mais livre para outras coisas tipo governar e isso.
Ah, e dava jeito que fosse alguém que pudesse ter filhos, também.
Foi por esse motivo que decidiu casar com D. Filipa de Lencastre, que até tinha um bocado de sangue azul, apesar de estar quase fora da validade (afinal já era quase trintona! Na Idade Média…), em vez de chamar a Matilde da Eira, que sabia fazer pão com chouriço e um pudim flãn que era um mimo, mas que já tinha 63 anos, era casada com o Barnabé da Fonte e tinha buço a mais e dentes a menos.
Ora depois das festas do casamento foi só fazer filhos, que se tornaram depois conhecidos como a Ínclita Geração. De origens gloriosas, as criancinhas foram baptizadas com os nomes dos seus antepassados mais famosos – Branca (como a mãe de D. Filipa, morta no ano seguinte ao do nascimento), Afonso (como o primeiro rei português – herdeiro do trono até ter cerca de 10 anos, quando se lembrou de morrer e assim lixar a vida tranquila do irmão que vinha a seguir), Duarte/Edward/Eduarte (este puto teve uma infância lixada, que ninguém conseguia dizer o seu nome de maneira correcta), Pedro (como o pai de D. João), Henrique (de Henry – o nome de vários reis ingleses), Isabel (que pariu um tal de Carlos o Temerário, que devia ser uma criancinha jeitosa de se aturar…), outra Branca (que não sobreviveu), João (condestável de Portugal, e isto não tem nada a ver com o azeite) e Fernando (que foi abandonado por toda a gente lá no Norte de África, e é por isso que agora há uma estação de comboio chamada Infante Santo).
Houve até um historiador muito engraçado que disse que a D. Filipa tinha umas “abençoadas entranhas”…

Ora o nosso amigo Edward/Duarte/Eduarte nasceu em Viseu a 31 de Outubro de 1391 e teve uma vida relativamente sossegada, apesar de ninguém saber dizer o seu nome estúpido e esquisito escolhido pela mãe, até ao dia 22 de Dezembro de 1400, quando o seu irmão Afonso, herdeiro da coroa, resolve morrer e deixar o peso da responsabilidade da coroa nos seus ombros.
Foi um aborrecimento para o Eduarte/Edward/Duarte, que o que gostava mesmo de fazer era ler, escrever, filosofar, arrumar livros e, basicamente, meter-se na vida dele.
Precisamente pelo motivo de Duarte/Eduarte/Edward ser um rapaz atinadinho, o seu pai, o Rei D. João I, fez o que achou melhor para a situação: meteu o miúdo a tratar de tudo, deu terras e bens aos outros filhos todos (menos a este, que ia herdar todo o reino…), mandou os outros andar na rambóia, viajar, casar, tratar dos bens deles e tirou umas férias…até ao fim da vida… Era só assinar uns papéis, aparecer de vez em quando, para parecer que era ele quem trabalhava…mas afinal… era o Duarte/Edward/Eduarte quem andava ali a dar o litro, todos os dias, sem férias…
…coisa que lhe valeu uma depressão com cerca de 20 anos de duração…
Finalmente, o Eduarte/Duarte/Edward lá conseguiu um tempinho para casar e para ter quase uma equipa de futebol de filhos.
A sua esposa, D. Leonor de Aragão, era bisneta de D. Inês de Castro, pelo que o champanhe da festa do casamento deve ter tido um certo gosto amargo para quem não queria a ligação da casa real portuguesa à da família Castro, motivo pelo qual D. Inês de Castro até foi degolada…
É que a partir dessa altura, a descendêcia portuguesa passa a ser metade Castro… Saiu-lhes o tiro pela culatra, foi o que foi…
O Edward/Duarte/Eduarte lá conseguiu reinar sozinho durante uns 10 anos, até a maldita da peste o levar. Faleceu em Tomar, a13 de Setembro de 1438.
No seu curto reinado reuniu Cortes pelo menos 5 vezes, o que revelava um interesse da sua parte no que se passava no resto do reino, preocupou-se com a organização do reino, escreveu “O Leal Conselheiro” e “O Livro de Ensinança de Bem Cavalgar a Toda Sela” (não, não é sobre tunning…), obras perfeitamente actuais em certos contextos, entre muitas outras coisas.
Se o quiserem visitar, está sepultado nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, ao lado de D. Leonor de Aragão, sua esposa.
Aproveitem para visitar o resto do Mosteiro, já agora, que vale a pena!

2 comments:

O Embalador de Codornizes said...

Se quiserem visitar o sepultado que jaz nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha é só ligar ao embalador! Todos os dias lá passo quando vou descarregar codornizes prós turistas levarem de regalos. E são um regalo!!

Cumprimentos do embalador

Marta said...

O que seria de nós se não existisem pessoas que cuidam tão devotadamente das nossas necessidades!!
Cada vez que lá vou só penso: "Huumm... o que eu comia agora era uma codornizita frita com puré de batata e o molho por cima!! Com uma Coca Cola bem fresquinha, pois..."